Estanho

Vários séculos antes de Cristo, a liga do estanho e cobre – o bronze – substituiu a pedra na fabricação de armas e utensílios, a ponto de “idade do bronze” tornar-se a designação corrente da terceira fase no desenvolvimento da cultura material dos povos da Europa, Ásia e Oriente Médio.

Estanho é um elemento químico metálico, de símbolo Sn, pertencente ao grupo IVa da tabela periódica. Metal mole de cor branco-prateada, forma compostos estanosos (Sn2+) e estânicos (Sn4+), assim como sais complexos de tipos de estanito e estanato. Ligas de estanho já eram conhecidas antes do ano 3000 a.C., mas não se sabe quando o metal foi isolado pela primeira vez.

Propriedades e estado natural:

O estanho liga-se facilmente com quase todos os metais. Na natureza, pode ser encontrado em estado puro, mas geralmente é extraído da cassiterita, em forma de óxido estanoso, de fórmula SnO2, por tratamentos sucessivos de enriquecimento, combustão e redução pelo carbono.

No que se refere às características físicas, o estanho é um metal não-tóxico, mole e dúctil, altamente fluido em estado líquido. O baixo ponto de fusão facilita seu uso como revestimento para proteger metais contra oxidação. Reage com ácidos e bases fortes, mas é relativamente inerte a soluções neutras. A cor branco-prateada se mantém mesmo quando o estanho é exposto à intempérie, porque o metal forma uma fina película de proteção ao reagir espontaneamente com o oxigênio.

O estanho apresenta três variedades alotrópicas sólidas: o estanho α, ou estanho cinzento é uma forma não metálica estável abaixo de 13 ºC. Nela, os átomos de estanho estão covalentemente ligados como no retículo do diamante. De 13 a 161 ºC o estanho β, ou estanho branco, é a forma estável. É o estanho comum, metálico e se cristaliza num retículo tetragonal. Acima de 161 ºC (até 232 ºC, o ponto de fusão) o estanho γ, ou estanho rômbico, é estável. Forma um retículo ortorrômbico e é muito quebradiço. A transição β α é lenta e quando ocorreu em tubos antigos de órgãos nas catedrais das regiões frias da Europa, foi chamada de “peste do estanho”.

Ligas e aplicações:

Do estanho obtêm-se com facilidade fases intermetálicas (ligas de dois ou mais metais) duras e frágeis. As ligas mais utilizadas são as de cobre e estanho em proporções variadas, que recebem o nome genérico de bronze e podem levar ou não elementos de modificação, como zinco, chumbo e manganês. O estanho também forma ligas para solda (combinado em partes iguais com o chumbo), peltre (75% de estanho e 25% de chumbo) e metal-patente (estanho com pequena quantidade de antimônio e cobre). Elementos de ligação como cobre, antimônio, bismuto, cádmio e prata aumentam a sua dureza.

Emprega-se o estanho na proteção de peças mecânicas, chapas, tubos e fios, por sua ductibilidade, maciez, resistência à corrosão e qualidades biocidas. É muito usado como revestimento de aço e cobre. Grande parte do estanho produzido no mundo é consumida no preparo da folha-de-flandres, usada em latas para a indústria de conservas. O revestimento das chapas de aço, nesse caso, pode ser feito por imersão em cubas de metal fundido ou por eletrodeposição, processo que permite obter camadas de espessura muito fina.

Compostos orgânicos e inorgânicos de estanho encontram aplicações industriais. Um dos principais usos dos primeiros, como o óxido tri-butil-estanho, é como aditivo de tintas envenenadas, para proteção de cascos de navios contra flora e fauna aquáticas. Entre os inorgânicos, o cloreto estanoso, por exemplo, adicionado ao sabão, permite conservar a cor e o perfume, e o óxido estânico serve como acabamento fosco de vidros e esmaltes. Sais de estanho também são utilizados em remédis, espelhos, e papeis para embalar cigarros e chocolates.

No final do século XX, os principais produtores de estanho eram a Malásia, a Rússia e o Brasil. As jazidas brasileiras de cassiterita ocorrem em Minas Gerais (São João del Rei), São Paulo (Mogi das Cruzes), Rio Grande do Norte (Carnaúba do Dantas, Acari e Parelhas), Paraíba (Picuí e Soledade), Rio Grande do Sul (Encruzilhada do Sul), Goiás (Ipameri, Piracanjuba), Amapá (vale do rio Amapari) e Rondônia.