Flúor

No século XVII, o pesquisador e geólogo alemão Georgius Agricola mencionou, em seus estudos sobre matais, a existência de um mineral que denominou fluor lapis (pedra fluida) graças à propriedade de fundir-se a temperaturas relativamente baixas. Esse mineral, antes chamado de espatoflúor e hoje conhecido como fluorita, constitui a fonte principal do flúor.

Flúor é um elemento químico, de símbolo F, pertencente ao grupo dos halogênios, ou VIIa da tabela periódica, juntamente como o cloro, bromo iodo e astato. Descoberto por Carl Wihelm Scheele em 1771, o gás flúor (F2) foi isolado pela primeira vez em 1886 por Henri Moissan, por meio da eletrólise do ácido fluorídrico anidro, rico em fluoreto ácido de potássio, processo ainda hoje empregado industrialmente na obtenção desse gás. Encontrado em pequenas quantidades na água do mar, nos ossos, nas unhas e dentes de animais, o flúor ocorre na natureza como fluoreto de cálcio (CaF2) na fluorita e, como fluoreto de sódio e alumínio (Na3AlF6) na criolita.

Apresenta-se como um gás amarelo-esverdeado, de odor irritante e propriedades tóxicas. É o mais eletronegativo e o mais reativo de todos os elementos químicos. Sua extrema reatividade, que se traduz em forte tendência à formação de compostos, atribui-se à facilidade com que se atrai elétrons e ao ser reduzido tamanho de seus átomos. Combina-se com todos os demais elementos químicos, exceto o hélio, o argônio e o criptônio. A manipulação do flúor é problemática, já que substâncias como madeira, o vidro e amianto são prontamente corroídos por ele.

Seus derivados inorgânicos mais comuns são o fluoreto de sódio (NaF) utilizado como preventivo das cáries dentárias, e os fluoretos de sódio e hidrogênio (NaHF2), de potássio (KF), de prata (AgF), de boro (BF3), de antimônio (SbF3) e de enxofre (SF6), entre outros seus compostos orgânicos, destacam-se os freons, entre os quais o freon-12 ou dicloro-diflúor-metano (CF2Cℓ2), gás refrigerante não tóxico, utilizado na maioria dos refrigeradores domésticos. A administração tópica de fluoreto de sódio e a fluoretação da água são eficazes na prevenção da cárie dentária.